marco sabino

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ACONTECEU EM 2008

Tentei dar uma revisada nos acontecimentos e nas coisas que gostei em 2008, mas confesso a dificuldade em colocar tudo por aqui.

Assim, colocarei, aos poucos, o que me chamou a atenção, o que gostei e o que não gostei.

Sirvam-se!

1. Os saltos dos sapatos femininos continuaram a surpreender e acho que nunca vi tanta criatividade nesse segmento. Nota 10 para as idéias. Na foto, um modelo da Dior.

2.Adoro as tiras de BRUNO DRUMMOND publicadas na seção GENTE FINA, todos os domingos, na revista do jornal O GLOBO. Desenhos ótimos e um humor finíssimo…….Nota mil!

3. O mesmo para a seção ENTREOUVIDO POR AÍ com as frases hilárias enviadas pelos leitores e publicadas todos os domingos na mesma revista.

4. Em humor, não teve ninguém para o programa CGQ da TV BANDEIRANTES. Nota mil!

O inteligente Marcelo Tas, o engraçado Marco Luque, o hilário Danilo Gentili, o charmoso Rafael Cortez, o carismático Oscar Filho,  o antenado Rafinha Bastos e o agitado Felipe Andreolli merecem o máximo de aplausos pelo humor e pelas risadas provocadas com o programa das segundas-feiras.

5. O engraçado “Beijo, me liga” que Marco Luque diz o tempo todo tem a autoria reivindicada pelo colunista Bruno Astuto do jornal O DIA e foi uma ótima e engraçada sacada. 10!

6. A discussão sobre a adoção do novo terno: paletó e bermuda. Foi e continuará ótima, pois por enquanto não chegará a lugar nenhum…

7. A evolução em curso da MODA MASCULINA. Nota 10!

No Hemisfério Norte bem mais rápida do que no Brasil, mas mesmo assim está muito bom.

Quem? Dior, Daniel Palillo, Romain Brau, Osklen, João Pimenta, Givenchy, Prada, Givenchy, Marcelu Ferraz e vários estilistas orientais, entre outros.

7. Nota 10 para Karolina Kurkova que foi criticada ao desfilar no Brasil por estar com algumas gordurinhas e por ter sido eleita a modelo mais SEXY do ano logo depois. Dá-lhe Karolina!

8. Nota 10  para Agyness Deyn, a charmosa modelo britânica (com ou sem Henry of Holland que também é bem charmoso).

9. Nota mil para Franca Sozzani, a editora da Vogue Itália, por sua visão, conjunto da obra e pelas edições históricas de julho com as modelos negras, fotografadas por Steven Meisel, e pelas edições sobre a África e a edição com fotos de Bruce Weber.

10. Nota 10 para modelos masculinos que passaram enfim a ter seus nomes divulgados como o têm as suas colegas mulheres. Nada mais justo!

Entre eles, nota 10 para Alex Schultz, Sean O’Pry, Lucien Thompkins, Ash Stymest, Evandro Soldati, David Gandy, Gabriel Grandi, Roberto Merini, Eddie Klint, Cole Moor, Léo Peixoto, Mathias Lauridsen, Tyler Riggs (foto) e Tiago Mann, entre vários outros.

11. Nota 10 para a ducha e nudez singela do modelo Rodrigo Rothen no desfile da ROSA CHÁ. Nada de mais. Um bum-bum muito bem exibido…

12. Nota ZERO para alguns editoriais apelativos com muito fetiche, cenas de submissão e violência gratuita.

Nem na época do pornô-chic, nos anos 90, apelaram tanto.

13. Nota 10 para as já tradicionais carteiras de bambu da estilista Glorinha Paranaguá.

14. Nota ZERO para o IMBROGLIO FASHION que envolveu estilistas como Alexandre Herchcovitch e um grupo de investimento que, com silêncio e mentiras, passou recibo de idiota para a imprensa e fashionistas.

15. Parabéns pelo humor de Marcelo Adnet da MTV e para Bruno Mazzeo do programa CILADA. 10!

16. Nota DEZ para o livro GOMORRA que denunciou a máfia napolitana Camorra, para o 1808 de Laurentino Gomes, para o livro de Carlos Lyra sobre sua história e a bossa nova, para a pulicação de uma tradução do clássico Émile Zola, Bonheur des Dames, que aqui, se tornou O PARAÍSO DAS DAMAS e para muitos outros.

17. Ótimo o seriado THE TUDORS (apesar de alguns erros históricos), HOUSE e nota 10 para a microssérie CAPITU, exibida pela TV GLOBO.

18- Nota 10 para o apelido CENOURA & BRONZE dado ao estilista Valentino Garavani. Muito engraçado.

19. Madonna arrasou ao mostrar sua forma e disposição no auge dos 50 anos. Se ela levou o modelo Jesus Luz para casa, tudo bem, mas levar o lustre dos anos 30 do Hotel Glória, oferecido (sic) por Eike Batista, terá sido um tanto ridículo. Deixa a preciosidade no Brasil, Eike!

20. Nota 10 para o agasalho com capuz, apelidado de HOOD ou HOODIE, onipresente na moda e protagonista da cena fashion junto com o chapéu Trilby, macacões, resgates dos anos 70, babados e espartanas.

21. Nota ZERO pela exibição demasiada do estilista Marc Jacobs e 10 pela escolha do brasileiro Lorenzo Martone como parceiro.

22. Nota 10 para inúmeras ações e criações do estilista Karl lagerfeld e nota ZERO por sua cansativa super exposição.

23. Parabéns pelo crescimento e atuação de Cauã Reymond (está ainda mais bonito) na novela A FAVORITA. Nota mil!

24. Nota DEZ para Patricia Pillar, Claudia Raia, Mauro Mendonça, Miguel Ângelo, Lilian Cabral, Iran Malfitano, Jackson Antunes, Ary Fontoura, Murilo Benício e para as atrizes que fazem a Manu e a Fafá em A FAVORITA.

25. Nota DEZ para Gloria Kalil por sua delicadeza, carisma, profissionalismo, simpatia e competência.

26. Nota DEZ para vários editoriais de Alcino Leite Netto e para blogs como Dus Infernus, Moda Sem Frescura, Garance Doré, The Fashionisto, Made in Brazil, À Cause de Garçons, WHAT I SAW TODAY (ilustração acima), FASHION PRIME de Raquel Marangoni, Marcvisão e vários outros.

27. Nota 10 para o balé de Roberto Bolle e por seu corpo escultural (foto)

28. Nota 10 pelo carisma e corpo de David Beckham (foto) e pela beleza e profissionalismo de modelos como Raquel Zimmermann, Adriana Lima, David Gandy e Emanuela de Paula.

29. Nota 10 pelas publicidades da BENETTON, para as coleções de Nicolas Guesquière para a Balenciaga, para Chistopher kane, Gareth Pugh, Christopher Bailey da Burberry Prorsum, Francisco Costa para Calvin Klein, Alber Elbaz para Lanvin e muitos outros.

30. Nota 10 para as parcerias da H & M com vários estilistas.

31. Nota 10 para Carla Bruni e para a competência, seriedade  e carisma de Bethy Lagardère que triunfou ao ser a única brasileira a ter o prestígio de receber a primeira-dama num almoço de três horas numa visita oficial de somente dois dias do presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao Brasil.

32. Nota 10 para a eleição de Barack Obama e para a personalidade de Michelle Obama.

33. Adorei Keyra Knightley em A DUQUESA e DESEJO E REPARAÇÃO, as músicas e a voz de Amy Winehouse, o resgate da música do Beirut para tema de CAPITU e a música NÃO É PROIBIDO de Marisa Monte. 10!

34. Nota 10 para os documentários sobre as atrizes francesas e sobre a vida de Elton John exibidos no canal GNT.

VOLTO AO ASSUNTO E COMPLETO OS ENTRE OUTROS, ALÉM DE COLOCAR MAIS PESSOAS E FATOS QUE MARCARAM 2008. AGUARDE!

Posted by marco sabino Posted in: Sem categoria No Comments » dezembro 2008


ROXO, VIOLETA, PÚRPURA…

No Brasil, usamos a palavra roxo ou violeta para chamar a cor que Carla Bruni-Sarkozy adora.

Não falamos purple como os ingleses e americanos nem pourpre como os franceses, embora a palavra violet exista nas duas línguas.

De qualquer modo, a cor esteve presente na linda bolsa Hermès que Carla usou ontem no almoço oferecido por Bethy Lagardère no Rio de Janeiro.

A pequena bolsa tinha aquele grande H como fecho na parte da frente e combinou perfeitamente com o vestido marinho e a sandália com pedras coloridas da Dior.

Eu adorei o minúsculo pingente com a letra D (de Dior, é claro…) que caía da tira presa ao calcanhar.

Charmoso e bem discreto.

Bethy também adora a Hermès e é uma das clientes mais importantes da grife tradicional francesa.

No almoço, Bethy usava um terno claro Hermès com aberturas laterais de couro por onde passava um cinto caramelo que, pela técnica apurada da confecção, adequava-se perfeitamente ao tecido.

Nos pés, uma charmosa mule Manolo Blahnik com delicados bordados.

Eu adorei conversar com o Embaixador Marcos Azambuja que, ao examinar o meu Dicionário da Moda, me contou fatos interessantíssimos sobre alguns quadros reproduzidos no livro e que pertencem ao acervo do Itamaraty.

Toni Garrido esbanjava simpatia e elegância num terno cinza ajustado e Marília Pêra me perguntava porque eu não lançava uma linha de guarda-chuvas customizados.

Francis Hime falava orgulhosamente de seus setenta anos e eu não pude deixar de cumprimentar Carlos Lyra pelo lançamento de seu livro, contando sua versão sobre a história da Bossa Nova.

Realmente um almoço inesquecível.

Após as três horas previstas (apesar de Carla ter excedido em quinze minutos sua presença no tempo rigidamente controlado), Bethy convidou a todos a deixar sua assinatura numa das colunas brancas da sala.

Posted by marco sabino Posted in: Sem categoria 1 Comment » dezembro 2008


CARLA BRUNI À RIO – ADORABLE!

Ao chegar a meu destino num elegante prédio do Rio de Janeiro, já era possível escutar o barulho e avistar um helicóptero que pairava no céu na tentativa de capturar alguma imagem exclusiva de Carla Bruni-Sarkozy.

A simpaticíssima primeira-dama francesa, aguardada para um almoço oferecido pela amiga Bethy Lagardère, logo chegaria, simples e elegante num vestido azul-marinho com pequenos poás, sandálias baixas Dior com pedras coloridas e uma pequena bolsa roxa Hermès.

A ex-modelo Carla é longilínea, meiga e muito suave ao falar e ao se movimentar.

Não havia jornalistas convidados e um grupo escolhido a dedo pela anfitriã aguardava ansioso a sua chegada para o almoço com duração prevista de três horas.

Belos arranjos de flores e papagaios coloridos de louça decoravam o centro das três mesas, onde pequenos cartões marcavam os lugares de pessoas como o Embaixador Marcos Azambuja e senhora, Marília Pêra, Francis Hime, Carlos Lyra e senhora, Malu Fernandes, Carlos Alberto e Beth Serpa, Toni Garrido, Gabriel Chalita e Mariana Moraes, entre outros poucos convidados.

Bethy queria oferecer um almoço descontraído à amiga Carla e convidou, além de seus amigos mais próximos, alguns expoentes da música popular brasileira.

Como o aniversário de Carla é amanhã, um violão foi o presente escolhido por Bethy.

Antes de nos acomodarmos nas mesas, Carla conversou um pouquinho com cada um e se mostrou amabilíssima, falando até mesmo algumas palavras em português.

Num dia lindo de sol do Rio, com direito à arco-íris no céu, Carla foi brindada com duas canções, se mostrou encantada com a vista e ficou curiosa para saber o que eu havia escrito sobre o seu estilo ontem para o Jornal do Brasil.

A tarde corria agradável e Carla parecia não querer ouvir os apelos da comitiva que a chamavam para os outros compromissos ao lado de seu marido.

Nota 11 para Bethy que proporcionou um momento mágico para todos nós e fez as honras da cidade, recebendo a primeira-dama francesa com seu savoir-faire mineiro-francês.

Adorei!

Depois coloco mais fotos.

Posted by marco sabino Posted in: Sem categoria 2 Comments » dezembro 2008


SAUDADES DE PARIS

E depois de meu almoço com Caroline Vezolles das galerias PRINTEMPS e Cynthia Camargo na Confeitaria Colombo, conversando o tempo todo em francês e passando na memória inúmeros fatos relacionados a Paris e à cultura francesa, me deu uma certa nostalgia da cidade que amo, de minhas temporadas semestrais e do tempo em que estudei e morei por lá.

Na foto, eu aguardo o carro na cour da casa de Jean-Luc e Bethy Lagardère, onde morei durante um tempo e onde hoje mora M. Bernard Arnault do grupo LVMH.

Posted by marco sabino Posted in: Sem categoria 1 Comment » novembro 2008


“A EXPERIÊNCIA DE SE ESCREVER O DICIONÁRIO DA MODA”

Escrevi meu primeiro artigo sobre moda e comportamento em 1985 ao ser convidado pela revista Claudia Moda da Editora Abril. O artigo “Vale tudo no cardápio da moda” tinha um tom premonitório do qual eu muito me orgulho. Afinal, ao lê-lo hoje, passados 22 anos, vejo que minhas antenas estavam bem atentas aos movimentos que viriam a acontecer no universo da moda. Depois desse artigo, publiquei diversos outros em revistas como Desfile Coleções, Elle, Vogue, The Voice, Around e jornais como O Globo e Jornal do Brasil. Semprei gostei de moda e, nos anos 70, já lia a italiana L´UOMO Vogue e a Elle francesa. Mal poderia adivinhar, entretanto, que viria a morar em Paris  na casa do próprio Jean-Luc Lagardère*, marido de Bethy Lagardère, dono da Elle e de tantos  outros negócios, em 1999.

Aliás, uma linda casa do século XVIII, que foi comprada por Bernard Arnault do grupo francês LVMH que inclui Dior, Louis Vuitton e muitas outras marcas internacionalmente conhecidas.

Mas, como um médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, torna-se estilista de bijuterias e acessórios, depois articulista, mais tarde editor do pioneiríssimo www.marcosabino.com, inaugurado em fevereiro de 2000, e finalmente autor do Dicionário da Moda publicado em 2006? Não sei. Coisas do destino, da vontade e do não-conformismo, acredito.

Após meus cursos e temporada em Paris, voltei ao Rio de Janeiro, mas logo em seguida, decidi me isolar. Fui para Petrópolis onde passei dois anos e, lá, dediquei-me ao máximo a meu site**. Depois de algum tempo, voltei ao design das bijoux e, logo, passei a acumular várias atividades. Em 2003, veio o convite da Editora Campus/Elsevier para escrever um pequeno dicionário de moda. Assinei o contrato, mas nada ainda era certo em termos do número de páginas, se haveria fotos, sobre quem assinaria o projeto gráfico, enfim nada definitivo. Com o desafio e a firme vontade em contar o que sabia, pois já havia vivido vinte e seis anos no circuito da moda, arregacei as mangas e dei início ao trabalho. Completamente só. Inicialmente, fiz um brainstorm, onde tentei listar todos os verbetes que entrariam no livro. Comecei a escrever e o livro foi crescendo. Queria homenagear todos os profissionais da moda que haviam se dedicado ao setor e deixar registrada a sua existência e importância no cenário de moda nacional. Muitos aconselhavam a não falar desse profissional ou de outro. Os mais elitistas achavam, por exemplo, que somente uma meia dúzia de fotógrafos deveria ser mencionada. Eu pensava ao contrário e achava que se alguém tivesse trabalhado, se dedicado e tivesse deixado seu trabalho nas páginas de revistas e jornais, merecia ser lembrado. Gastei uma fortuna em livros, revistas antigas e pesquisas. Sem a ajuda de ninguém. Totalmente sozinho e com muita vontade de acertar. Tive de estudar muito. Ler em francês, inglês, espanhol e tentar trazer a verdade para as páginas do meu livro, já que há disputas e mais disputas sobre a autoria e invenção das coisas entre estrangeiros, principalmente franceses e ingleses. Mas eu queria ser imparcial e buscava a verdade. Sempre. Tarefa difícil num universo repleto de egos desmensurados e num país onde o culto à memória não é uma prerrogativa. À medida que os verbetes iam se delineando, as dúvidas iam aumentando e, a cada dia, eu tinha de me esforçar mais. Comecei a notar que muitas pessoas mentiam e não queriam a verdade dos fatos. Coisas simples como não revelar a própria idade até profissionais que, por desafetos, rompimentos e desilusões, eliminavam ex-sócios, parentes e até mesmo, esposas e maridos. Comecei a enlouquecer. A minha proposta era com a verdade. Já bastava ter de ler e ouvir que a cena de moda nacional havia começado com as fatídicas fashion weeks dos anos 90. E todo o trabalho que foi feito antes? Por que renegá-los? Havia semanas de moda sim e, no início dos anos 80, éramos obrigados a apresentar prévias de coleções de inverno já em novembro. As coleções seriam apresentadas em janeiro e entrariam nas lojas em março, mas edições profissionais como o Jornal da Claudia Moda que circulavam durante a Fenit em janeiro, precisavam de material para suas páginas e nós, estilistas, enviávamos croquis e peças-piloto. Tudo para não perder a oportunidade de ter o nome em evidência num período com boa divulgação. Em janeiro, ainda, apresentávamos nossas coleções em nossos showrooms e aguardávamos as vendas para os lojistas de atacado. Logo depois, revistas como Moda Brasil, Desfile, Vogue, Claudia Moda e Interview já recolhiam nossas peças para serem fotografadas nos editoriais das novas estações. Ao ler as declarações dos organizadores das semanas de moda atuais, me perguntava: Por que a Regina Guerreiro não diz o que acontecia? Por que Costanza Pascolato não declara como ela era recebida no Rio de Janeiro na época desses lançamentos que não tinham o nome de fashion week, mas que eram encarados com a mesma seriedade profissional? Até hoje, tenho essa dúvida. Por que o silêncio? Afinal, as editoras de moda não apresentavam nas páginas de moda de suas revistas parafusos ou móveis de madeira. Elas comentavam e apresentavam fotografias de roupas e de acessórios! Bradavam sobre a nova tendência e mostravam que entendiam do riscado. Os tempos eram diferentes, o mundo era outro, mas os seres humanos continuam os mesmos. Com seus egos, vontades, força e dinamismo. Todas aquelas pessoas que participavam daquela imensa engrenagem de moda eram profissionais. A maioria autodidata, mas tentando acertar, ganhar notoriedade, conquistar, seduzir, vender e vencer. Igualzinho aos que estão neste meio em pleno século XXI. O que mudou foi o tamanho, a sofisticação tecnológica, o aparato e o aparecimento de escolas, cursos e novas profissões. Produtora de moda não era chamada stylist. Encarregado do som não era conhecido por DJ. E, para falar a verdade, havia muito mais revistas dirigidas ao profissional da moda do que hoje em dia. No início da minha trajetória profissional, eu ainda conheci o importante Noticiário da Moda da Editora Abril, o Moda & Mercado, o Moda & Serviço, Etiqueta, Claudia Moda, Desfile Coleções, Edição e tantos outras publicações. E, no Dicionário da Moda, eu queria homenagear todas as pessoas que haviam trabalhado e participado da construção do cenário de moda do país. Só quem viveu os terríveis planos econômicos, uma epidemia de Aids e tantas outras adversidades dos anos 80, sabe do que estou falando. Considero todos estes que se esforçaram e construíram suas marcas e seus negócios verdadeiros heróis da resistência. Porque não foi fácil. Não havia telefonia celular para tantos patrocínios. Não havia interesse nesse segmento pelas grandes empresas. As pessoas que queriam se dedicar à moda tinham de ser perseverantes e insistentes. Como já salientei, o meio da moda é repleto de egos desmensurados e isso sempre foi assim. Na Medicina, também havia. Como existe na decoração, na Odontologia, na Advocacia… Não é uma boa qualidade, mas é uma característica humana previsível. Pois bem, ao se escrever um Dicionário da Moda, onde nomes são perfilados, pode-se imaginar exatamente o que possa acontecer. Uma jornalista, que contatei no início dos trabalhos, queria saber qual seria o tamanho de seu verbete, pois, afinal, ela era uma das mais antigas na moda e já bastava ter tido iniciativas e trabalhos seus atribuídos e publicados na biografia de outra pessoa. Concordei, disse o número de linhas que haviam recebido duas jornalistas de igual importância e ela acedeu. Disse: “Mãos à obra!”. Após algum tempo, recebo um e-mail noticiando sua morte e convidando para a missa de sétimo dia. Fiquei estupefato, pois quando ela conversou comigo, ela já sabia que não duraria muito tempo, mas mesmo assim, importava-se muito com aquele número de linhas. Escrever um dicionário não é fácil e qual não foi a minha surpresa ao ler o e-mail de um estilista mimado que não se sentia satisfeito com suas 29 linhas! Mas as dificuldades não me desanimaram e, leonino, obsessivo e perfeccionista que sou, não esmoreci. Tive depressões, tendinites, cansaço extenuante, discussões com os editores, frustrações, mas cheguei lá. A minha premissa era a imparcialidade e a narrativa da verdade dos fatos, e acho que isso conquistei. Aprendi que é complicado escrever sobre os outros, que é difícil resgatar com apuro técnico a descrição de uma roupa ou acessório, compreender a indumentária no passado e que é impossível acreditar na primeira informação lida ou conseguida. Dos meus mais de 800 volumes sobre moda colecionados desde os anos 80, tive de descartar as informações de inúmeros deles. Passei a exigir títulos em relação aos autores e, assim mesmo, olhe lá, pois há sempre divergências e interpretações diferentes. Fontes na Internet? Extremo cuidado, eu advertiria ao mais incauto ou ao que não seja um mineiro tão desconfiado como eu. É sempre necessário checar. Ou tentar, porque como já disse, as próprias pessoas mudam suas histórias, inventam novas trajetórias e, em minha opinião, enganam a si próprias e o que é pior, à memória do Brasil. Mas o trabalho foi irresistível, principalmente quando, no decorrer dos meses, constatamos que o número de páginas foi aumentando, que os arquivos no computador foram ficando repletos e que a possibilidade da escolha de fotos e ilustrações, apesar de instigante, poderia levar à loucura. Conseguir autorizações para fotos, para publicação de capas de revistas e páginas de jornal? É um trabalho extenuante e que pode ensandecer qualquer um. Acha-se o fotógrafo e não se acha a modelo. O modelo quer cobrar cachê para ter sua foto publicada no livro. É, por incrível que possa parecer, esse fato aconteceu. Todos acham que o autor irá ganhar rios de dinheiro e, alguns limitados não conseguem enxergar que sua imagem estará eternizada num trabalho sério e que é uma deferência para a pessoa estar ali. Trabalho quase encerrado, o orçamento da editora vetou a excessiva quantidade de páginas. Com o coração na mão, tive de aceitar a retirada de quase cem páginas do livro. Páginas repletas de palavras escolhidas, pesquisadas, amadas. Não houve alternativa. E muita gente reclamou de não estar citada no livro. Muita gente sem tanta importância na moda, mas que se acha super importante e não admitiu a suposta falha técnica do autor. Outros tantos que poderiam estar, mas que pelas razões que já expus, acabaram saindo. Talvez apareçam em outra edição. Outros realmente só têm ego e não mereceram estar ali. Outros estão citados em verbetes relacionados às suas profissões ou aos seus veículos de trabalho, mas isso não foi convincente para eles e muitos, por falta de percepção e raciocínio, nem tomaram conhecimento disso. Afinal, a maior parte queria ser verbete separado. Impossível! O trabalho de um autor como o do DICIONÁRIO DA MODA foi um trabalho de formiguinha, de arqueólogo, de monge… Um trabalho solitário e uma tarefa quixotesca à qual me propus realizar pelo fato de ter atração por este universo e pelo fato de ter sido uma testemunha ocular dessa História, a História da Moda no Brasil. Um trabalho que pode ter tido algumas falhas, mas que foi exaustivo, dispendioso financeiramente para mim, mas um exercício de paciência, fé, busca e compreensão.

* Jean-Luc Lagardère (1928-2003)

 

** No final dos anos 90, usava-se muito a palavra homepage. Depois as palavras site e portal se tornaram mais usadas. Em minha opinião, o marcosabino.com continua sendo um site e não um blog, apesar de ter servido para muitos como inspiração. Talvez tenha a linguagem dos blogs atuais, pois sempre foi totalmente autoral, mas não tem a construção e formato de um blog.

  
 

 

PS: Este artigo foi escrito antes deste BLOG (marcosabino.com/blog) ser inaugurado e foi publicado na revista DObra[s] este ano.

O texto publicado aqui é o original, escrito em março de 2008, sem edição.

Atualmente, tanto o SITE http://www.marcosabino.com quanto este BLOG, que você diariamente, estão on line.

Posted by marco sabino Posted in: Sem categoria 3 Comments » novembro 2008


LISTRAS

As listras estão super em pauta para este verão e para o próximo também.

Seja em estilo navy ou em outros mais.

Vasculhando fotos, achei esta onde estou com o ator Christophe Lambert, a bordo de um jatinho fretado por minha amiga Bethy Lagardère, indo para a Manaus, pois ele queria connhecer a Amazônia e nós precisávamos estar fora do eixo Rio-São Paulo até o dia da festa de lançamento da revista ELLE nacional em maio de 1988.

Repare as listras da camisa do ator que fez Tarzan nas telas.

Super atuais…

Aliás, listras nem saem de moda. 

Posted by marco sabino Posted in: Sem categoria No Comments » novembro 2008


LEILÃO BENEFICENTE DE BOLSAS

A tradicional marca francesa de bolsas e bagagem GOYARD (Bethy Lagardère é uma das clientes) realiza pela terceira vez consecutiva uma parceria com o Institut Curie com o objetivo de arrecadar fundos para a pesquisa contra o câncer.

Vinte e uma personalidades foram convidadas para customizar variados modelos de bolsas que serão leiloados pela Christie’s em novembro.

Na bolsa customizada pela atriz francesa Géraldine Pailhas foram utilizadas 11 bandeiras e, entre elas, está a do Brasil.

Catherine Deneuve, Charlotte Gainsbourg, Audrey Marnay, Chiara Mastroianni, Vanessa Paradis e Audrey Tautou são outras personalidades que participaram da ação.

Posted by marco sabino Posted in: Sem categoria No Comments » outubro 2008


SUSPENSÓRIOS

Eu usei muitos supensórios nos anos 80 e o caderno ELA de O GLOBO chegou a fazer uma matéria sobre minha coleção na época.

Não eram suspensórios fininhos tipo os dos skinheads e sim estampados, geralmente em couro, comprados numa loja que eu adorava na rue des Canettes em Paris (Saint Germain).

Confira a foto onde apareço usando um deles ao lado de minha amiga Bethy Lagardère em torno de 1987 na buate Hippopotamus.

Veja também mais sobre a Bethy em http://www.marcosabino.com/pratodia/prato09-01-04.htm 

e http://www.marcosabino.com/pratodia/prato28-05-08.htm

Procure a seção TRÊS PERGUNTAS na primeira página do site (onde está escrito NAVEGUE POR AQUI) e veja mais.

Posted by marco sabino Posted in: Sem categoria 2 Comments » setembro 2008


O ESTILO DO MAGO

Ele  já vendeu 100 milhões de livros no mundo!

455 traduções de seus livros já foram realizadas!

160 países já publicaram suas histórias e há livros seus em 67 idiomas!

Paulo Coelho é um fenômeno e um poder!

Criatura rara, escritor raro, um mistério.

Eu só li o ALQUMISTA e, na época, gostei. Parei por aí. Nunca me encontrei com ele, mas já jantei em seu apartamento na Av Atlântica com sua sua mulher Cristina e com Bethy Lagardère. Conheci um pouco do universo do mago que, de maneira interessante, optou por ter o quarto voltado para a praia, deixando a parte social voltada para o interior do apartamento. Aliás, nem sei mais se eles estão neste endereço carioca quando estão no Rio.

Seu novo livro “O Vencedor está só” é um policial e, segundo ele, aborda a violência para tratar do mundo das celebridades. Paulo Coelho diz que procurou retratar sua época, o luxo e o glamour.

“A cultura das celebridades é muito forte e espelha nosso tempo. Tive a certeza disso a partir de uma pesquisa.” disse Coelho em entrevista ao Estadão neste último sábado.

Segundo o autor, uma recente pesquisa americana mostrou que 58 % dos entrevistados revelaram-se mais inclinados a ser um assessor de uma celebridade do que um senador dos Estados Unidos ou um grande desportista.

Mas que decepção com a raça humana! Quer dizer que o povo anda preferindo ser uma FRASQUEIRA DE VEDETE do que ter uma profissão mais decente?

Pode se preparar porque vai vir mais tsunami, terremoto e confusão!

O que aconteceu com o ser humano e seus valores?

Alcançar fama, tornar-se uma celebridade, vender notícias sobre seus casamentos, divórcios e filhos à mídia são verdadeiras razões para se viver?

Já na revista do jornal O GLOBO, Coelho revela a João Paulo Cuenca que passou a entender a moda. Diz ele que descobriu que um vestido não tem a menor importância e o que interessa é quem está dentro do vestido. Para ele, o estilo é como uma roupa e o que realmente é o conteúdo.

Estou de acordo em parte com o autor porque estilo realmente tem mais a ver com atitude e atitude quem tem é a pessoa, o conteúdo. Mas o vestido ou a roupa, na verdade, são apenas ferramentas que ajudam no reconhecimento do estilo de alguém. Pelo menos, na moda. Além do mais, não se pode menosprezar o trabalho de criação de quem concebeu o vestido. Sabemos que seres humanos, mesmo nus, também podem possuir estilo, mas sabemos também que um invólucro adequado, bem escolhido e bem usado pode auxiliar e reforçar bastante.

Confesso que esperava mais sobre esse livro, principalmente porque Paulo Coelho conta com uma super estrutura.

Celebridades, crime, pesquisa americana… é pouco para quem pode dar e ajudar a melhorar tanto. 

PS: E os tais 6000 eleitos que comandam o mundo revelados pelo jornalista americano Rothkopf no livro “Superclasse: a elite do poder global e o mundo que ela está criando”. Sabe quem são?

Posted by marco sabino Posted in: Sem categoria 2 Comments » agosto 2008


MODA NA TV

 

Eu não sei bem o porquê, mas a verdade é que a TV nacional parece não ter vontade de realizar uma quantidade maior de programas específicos sobre moda. Ou alguns documentários interessantes como aqueles apresentados no People & Arts no final dos anos 90.

Aliás, lembra-se de Tim Blanks (hoje na seção MENSWEAR do Style.com) e da Jeanne Beker no Fashion TV?

Eram ótimos os programas!

Sou de uma época em que Cristina Franco reinou na TV Globo, embora a TV Manchete tivesse alguns programas como o do Clodovil ou aquele outro no qual o saudoso Roberto Barreira fazia entrevistas.

Eu estive várias vezes nestes programas e já fui também entrevistado por Danuza Leão (sim, ela teve um programa de TV), Leda Nagle, Regina Martelli, Leila Richers e outros tantos que não me recordo.

Sim, claro, dei entrevistas ao Amaury Junior, à Adriane Galisteu e a até mesmo à Helô Pinheiro, a Garota de Ipanema (que também teve programa de TV…)

Mas, voltando à moda, atualmente, só temos mesmo O GNT Fashion que começou com a Beth Lago (no início era bom, depois ficou uma droga. Aquela câmera rodando e a apresentadora com um inglês muito pernóstico. Ainda bem que já foi). Agora, como todos sabem, Lilian Pacce comanda o atual GNT Fashion.

Conheço a Lilian Pacce desde os anos 80 e acho legal que ela tenha dado certo como apresentadora, desanuviando seu visual, antes carregado pelo batom escuro, e vendo que tem tido mais acesso às starlets estrangeiras.

Não era nada pessoal provavelmente, mas a imprensa brasileira nunca foi prioridade no hemisfério norte. Agora, porém, como alguns interesses mudaram, a coisa vai ficando melhor.

Lembro-me de acompanhar La Franco nos bastidores parisienses e como era chato aguentar o Lagerfeld com aquele leque, copinho de vinho na mão, andando prá e prá cá, com todo o séquito puxa-saco atrás. Falava tão rápido e eu achava que a qualquer momento ele ia meter aquele leque na cabeça de alguma jornalista.

Já fui credenciado junto à Chambre parisiense pela revista Desfile e pela revista AROUND de Joyce Pascowitch. Foi bom, mas ótimo mesmo foi quando morei na casa de Bethy Lagardère em Paris. Tudo ficou tão mais fácil! A secretária se encarregava de tudo e meu lugar na primeira fila ou, no máximo, fila B, estava sempre garantido nos desfiles Chanel, Lacroix, YSL, Dior, etc, etc, etc.

Agora, entretanto, acho melhor assistir tudo pela tela do computador. Não tem encheção e não se tem de aguentar aquelas pessoas inconvenientes e mal-educadas que sempre existem por aí.

Mas, voltando ao assunto tv, acho que deveríamos ter mais opções jornalísticas de moda. Ou esperar que haja realmente um maior desenvolvimento na Internet. Meu monitor é enorme, tenho banda larga, mas acho que tudo ainda tem muito a melhorar. Quero imagens no computador iguais às que assisto numa enorme tela de TV plasma.

Mas será que rolará em breve? E no Brasil, será que o panorama editorial mudará?

Livros sobre moda ainda são difíceis de ser publicados e revistas são lançadas, mas somem de repente.

Não viram o que aconteceu com as revistas Coleções da Iesa Rodrigues e a Street do Lula Rodrigues? Acabaram. Uma pena!

Isso sem falar em várias tantas outras.

Por isso, são louváveis os trabalhos de Erika Palomino na KEY e da Kathia Castilho na dObr[a]s. 

Não assisto sempre o GNT Fashion, mas quando dá, sempre dou uma olhada.

Aliás, o GNT é um ótimo canal. O chato é aquela repetição de vinhetas iguais. Eles realmente parecem não ter pena do telespectador…

A atual vinheta do GNT Fashion retrata bem o meio da moda e aquela chegada da Lílian à alguma passarela da vida, usando óculos escuros, olhando para a frente e jogando a bolsa para o lado é emblemática.

 

Posted by marco sabino Posted in: Sem categoria 2 Comments » julho 2008


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