Você consegue realmente visualizar o que está acontecendo em termos de vida e de consumo no Brasil e no mundo?
Eu confesso que estou perdido...
Entre aberturas de Hermès e Marc Jacobs em São Paulo, passando por preocupações de estilistas com sustentabilidade, escândalos e milícias, celebridades chatas (não sei como a família Pitt/Jolie pode render tanto papel!), aumento de favelas e pobreza nas grandes cidades, trânsito e motoristas alucinados, crimes hediondos, obsessão com alimentação (não agüento + ver um programa de TV do tipo que ensina como emagrecer e levar vida saudável), pessoas obcecadas com plásticas, botox e aparência jovem, crise americana e notícias da robustez brasileira, estou meio atrapalhado.
Estou perdido no meio disso tudo e não estou sabendo por onde ir e no que acreditar.
Sabemos do show-off de determinadas empresas de moda e também sabemos do que penam para bancar a imagem de bem-sucedidas.
Imaginamos a concorrência entre jovens que lutam desesperadamente para serem a nova Gisele Bündchen ou um novo craque no futebol, e nem sei se aprovo isso.
Os rostos das jovens atrizes na televisão me confundem, pois muitas se parecem muito.
As séries americanas não dão trégua e eu fico pensando se precisamos de tantos filmes, tantas séries, tantos reality-shows?
Mal tomamos conhecimento de uma série e já há mais de 6 na fila solicitando um espaço em nossa cabeça.
Tudo é divulgado, tudo é comentado, mas há muito superficialidade nos textos e parece que ninguém quer mais saber de se aprofundar ao menos um pouquinho em alguma coisa ou apurar se há alguma verdade no que foi dito.
O século XXI se mostra um tempo cruel.
Tecnologicamente avançado, mas enlouquecedor.
Confira as notícias diárias por lá! Se não conhece ainda, garanto que vai gostar!
NOVA IORQUE
Os lançamentos de moda na cidade americana raramente trazem surpresas e, embora o jornalista Guy Trebay diga em seu artigo para o New York Times que a Big Apple é “the Center of the global fashion image machine”, eu tenho minhas restrições.
Pode até ser que NY o seja em termos de consumo e de alcance tanto por sua capacidade de distribuição quanto por seu idioma.
Obviamente, americanos sempre souberam passar um estilo de comportamento e, consequentemente, de vestir aos outros povos.
A cultura americana tem sido invasiva e colonizadora há décadas e, até mesmo, a nacionalista França acabou se rendendo ao efeito de rolo compressor dos Estados Unidos.
Mas sabemos que as coisas não estão tão fáceis por lá, assim como parecem não estar na França.
O Brasil sofre com efeitos colonizadores desde seu descobrimento e já passamos por portugueses, ingleses, franceses, holandeses e americanos.
Isso sem contar o efeito de culturas de outros povos como alemães, africanos, japoneses, libaneses e outros mais que imigraram para cá e difundiram seus costumes, mesclando-os aos nossos.
Para contrabalançar, também poderíamos influenciar um pouco, não?
Por enquanto, sei que Angola segue de perto tudo o que é produzido por aqui. Por quê? A televisão brasileira chega lá e o idioma é o mesmo...
Mas, de qualquer maneira, muitos pares de olhos no mundo estão olhando para nós nesses últimos tempos.
Isso é certo e a moda também entra nesse olhar.
Y-3
A parceria de Yohji Yamamoto com a Adidas deu super certo (pena que tudo seja tão caro!) e a coleção para o verão 2009 agradou às retinas.
Na minha opinião, a parte para os homens é melhor do que para as moças.
Podemos imaginar pessoas vestidas com essas roupas e isso é bom.
Cores, formas, listras retas nas calças ou enviesadas nos tênis e, obviamente, conforto.
DIANE VON FURSTENBERG
Além da homenagem à Diane Vreeland, a estilista belga trouxe novamente o floral e colorido do movimento hippie à passarela. Penas e flores nos cabelos das modelos e muitas estampas numa coleção composta essencialmente de vestidos.
O styling foi meio over, mas separando as peças, quem sabe?
Mas eu continuo fã mesmo das estampas e dos wrap-dresses da estilista.
As bolsas? Enormes...
ROSA CHÁ
Quatrocentos mil reais foi o valor gasto pela marca para desfilar na Big Apple, segundo a matéria de Alcino Leite Netto para a Folha de São Paulo.
Vale a pena?
Deve valer. Sei lá...
Eu só não entendo porque a Rosa Chá não tem "runaway review" nem fotos de toda coleção no www.style.com.
Estranho, não?
Será que é porque é moda praia?
Mas há também roupas, não?
TACADA DE MESTRE
Ela é uma das figurinistas mais famosas dos Estados Unidos graças ao sucesso das séries Sex and The City e de filmes como O Diabo Veste Prada e Confessions of a Shopaholic que estréia em 2009.
Sua coleção DESTINATION STYLE será vendida por uma empresa que vende pela televisão, catálogo e telefone.
Segundo li no site da HSN, eles atingem mais 90 milhões de lares americanos.
Mas, para falar a verdade, eu não gostei do que vi.
A chiquérrima Loulou de La Falaise também vende uma linha de produtos pela mesma empresa.
Tudo bem, não tem nada a ver com o eu que estava acostumado a ver quando ela assinava os acessórios da YSL, mas deve estar vendendo, pois ter sido musa do grande mestre é um bom argumento.
E aí? Gostou das criações de Patricia Field?
MILK
Nunca imaginei ver Sean Penn (ex-Madonna) representando o papel de um político gay. Mas o filão gay está na moda e é ótimo que injustiças do passado sejam trazidas à tona.
Quanta tortura e quanta maldade seres humanos já praticaram contra seu semelhante! Milk, o drama dirigido por Gus van Sant é baseado na história do político de São Francisco, Harvey Milk, o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos.
Milk foi assassinado pelo militante anti-gays Dan White em 1978 e, pelo homicídio duplo, White chegou a cumprir cinco anos de pena, mas se suicidou em 1985.
Em tempos de respeito a políticos como Bertrand Delanoë, o competente prefeito assumido de Paris, além de vários outros, relembrar a história do pioneiro político americano é mais do que oportuno.
Sean Penn interpreta Harvey Milk e James Franco, o vilão do Homem Aranha, o seu namorado Scott Smith.
ZAC EFRON
Ele é capa da TEEN VOGUE este mês. Confira o making of das fotos.
O ROSA E ULTRA NATÉ
Rosa é uma das cores que rolaram no verão deste ano em Paris e que também apareceu muito nas coleções masculinas para o verão 2009.
A cantora Ultra Naté, que já veio ao Brasil, abusa do pink na peruca...
Confira o vídeo.
THE DUCHESS
Para quem gosta de filme de época, o filme THE DUCHESS que acaba de estrear na Europa é fascinante.
Além de Keira Knightley, Ralph Fiennes e Charlotte Rampling também estão no elenco do filme que se passa no século XVIII e conta a história de Georgiana Cavendish, duquesa de Devonshire, uma mulher muito amada pelo povo e a frente de seu tempo.
Michael O'Connor assinou os figurinos e revelou que foram confeccionados mais de 30 vestidos para a duquesa que, em sua época, foi considerada uma lançadora de moda.
INFLUENCE
Francisco Costa, Diane von Furstenberg, John Galliano, Lauren Hutton, Karl Lagerfeld, Peter Lindbergh, Christian Louboutin, Jack McCollough & Lazaro Hernandez, Margherita Missoni, Robert Lee Morris, Terry Richardson e Giambattista Valli são alguns dos entrevistados no livro INFLUENCE das gêmeas Ashley e Mary- Kate Olson.
ANTONIO SÁBATO JR
Ele foi um dos musos das campanhas de underwear da Calvin Klein.
E, como os 40 anos da marca estão sendo comemorados, nada melhor que colocar algumas fotos do moço.
CALVIN KLEIN AINDA
Confira o outdoor (2004), Mark Wahlberg e uma foto polêmica e proibida (1995).
GUARANI-KAIOWÁ E O FILME
O filme BIRDWATCHERS (La terra degli uomini rosso) foi selecionado para a competição do Leão de Ouro de Veneza agora em setembro e não levou, mas foi muito bem recebido pela crítica.
Os Guarani-Kaiowá vivem no Mato Grosso do Sul e, nos últimos 70 anos, perderam muitas terras para os criadores de gado e produtores de cana-de-açúcar e soja.
A história do filme baseia-se no amor entre a filha de um rico proprietário de terras e um jovem guarani, aprendiz de xamã.
Entre os atores, Matheus Nachtergaele, vários índios e o italiano Claudio Santamaria.
Veja mais em http://www.birdwatchersfilm.com e emhttp://revistaepoca.globo.com
SERÁ?
A central de boatos fashion anda dizendo que Steven Meisel vai trocar a Vogue pela Harper’s Bazaar.
Será?
Lembra-se da confusão entre editoras de moda e fotógrafo no filme Prêt-à-Porter de Robert Altman?
MODA MASCULINA
O que importa é a diversidade!
Nas fotos, um look bem clássico americano, tipo escritório, exibido por James Penfold, um traje enlouquecido do talentoso Aitor Throup, um outro visual de Damir Doma, o ator Ryan Phillippe usando uma t-shirt com Obama e uma foto da campanha de inverno 2008-2009 da Benetton.
CAMPANHAS
Confira Jon Cartajarena na Guess, o bailarino Robert Bolle na Salvatore Ferragamo e a linha Rugby da Ralph Lauren.
RONALDO FRAGA
Ronaldo Fraga tem mídia e seu trabalho tem repercussão no Brasil e em outros países, mas acho que muito menos do que ele mereceria.
Sua preocupação em trazer elementos da cultura nacional em sua moda é louvável e, num país com tantas referências de fora, acredito que seu esforço e trabalho deveriam ser mais incensados.
Confira o vídeo onde ele conta várias coisas sobre sua trajetória de estilista.
MARC JACOBS
Marc Jacobs sempre é o encarregado das melhores novidades na Big Apple.
Desta vez, ele enveredou por mil universos e mesclou inúmeras referências que vinham desde os anos 40 ocidentais ao Oriente.
A quantidade excessiva do brilho me incomoda um pouco, mas já tivemos brilhos assim em outras épocas.
Lamês, couros metalizados, matelassés, estampas, ombreiras tipo anos 40 e 80, bijoux fortes, braceletes e pulseiras enlouquecidas, saltos gota, sandálias feéricas, dourados, pontas quadradas tipo sapatilhas de bailarina (a primeira que vi foi a do inverno 2008 do Azzedine Alaïa), bolsas alucinantes, amarrações, obis, alfinetões...
O resultado? Muito interessante!
BRASILEIROS EM NOVA IORQUE
Rosa Chá, Alexandre Herchcovitch, Iódice e Carlos Miele são marcas brasileiras que se apresentam durante a semana de moda de Nova Iorque.
Não acho que Geová Rodrigues deva ser colocado junto, pois o estilista, embora seja brasileiro, é radicado há tempos nos EEUU.
É o mesmo tipo de situação que acontece com os brasileiros Anne Fontaine (Paris), Daniela Hellayel da Issa (Londres), Bruno Basso da Basso & Brooke (Londres), Ignácio Ribeiro da Clements Ribeiro (Londres), Francisco Costa que trabalha para a CK, Gustavo Lins (Paris) e mais alguns que esqueci no momento.
Só li a crítica do desfile do AH no style.com e, embora não tenha tido os ótimos comentários que a mídia brasileira especializada sempre costuma dedicar ao estilista, houve algo de positivo. Leia e tire suas próprias conclusões.
Não vi resenhas americanas ainda sobre a Rosa Chá, mas senti que Ivana Trump, uma fiel cliente, sempre divulgada, parece não ter comparecido desta vez.
Aliás, achei uma maluquice o fato de divulgarem a presença da modelo Agyness Deyn no desfile de AH e, na última hora, dizer que ela não compareceu porque mudou de agência e aumentou o cachê. Será que isso existe por lá? Caso exista, é uma total falta de profissionalismo e respeito. “Direto de NY – Agyness Dean, presença garantida até hoje cedo no desfile de Alexandre Herchcovitch, não desfilou para o brasileiro. Tudo porque a top mudou de agente e acabou aumentando o seu cachê. Agyness cobra agora U$ 50 mil, o que daria para o estilista pagar para um casting inteiro”. (fonte:www.lilianpacce.com.br).
O Alcino Leite Netto publicou a boa matéria “Brasileiros enfrentam Nova York” sobre o assunto na Ilustrada da Folha de SP na sexta-feira passada.
É interessante ver o quanto se gasta para levar uma marca à uma semana de moda como a de Nova Iorque:
Rosa Chá- 400 mil reais, AH - cerca de 330 mil reais e Iódice - em torno de 200 mil reais, segundo o artigo de Alcino.
Para sentir a evolução da aceitação da moda brasileira no exterior, é sempre bom reler matérias de outros anos. Assim, veja o que o site de Gloria Kalil publicou em setembro de 2006: http://chic.ig.com.br/materias/389501-390000/389836/389836_1.html
e em 2008 http://chic.ig.com.br/materias/497001-497500/497421/497421_1.html
NEW FACES
A blogueira Diane Pernet roda o mundo atrás de novidades fashion. Já esteve no Brasil e está sempre apontando novos talentos e new faces.
Confira os modelos que ela encontrou no México e que, com certeza, deveriam estar no circuito. As fotos são de Carlos Garza e a agência é Avenue Model Agency.
Diane se interessa pelas imagens da moda em movimento e vem, há algum tempo, trabalhando com isto.
O festival A SHADED VIEW ON FASHION FILM (1st Fashion Film Festival in Paris) acontecerá entre 26 e 28 de setembro no Jeu Du Paume.
Saiba mais sobre o assunto e leia sua entrevista no http://www.jeudepaume.org
O blog é de Diane é o http://www.ashadedviewonfashion.com/
TOSCANI PARA VOGUE HOMMES JAPAN
Oliviero Toscani clicou, Nicola Formichetti realizou o styling e o resultado do editorial na nova VOGUE HOMMES JAPAN você pode ver nas fotos.